Apesar do resultado da pesquisa, as mulheres se queixam que são vítimas de discriminação em relação aos homens quando se trata de aspectos profissionais e financeiros

Felícia Rock: mulheres conquistam o território do mundo geek -  (crédito: Felícia Rock/Instagram/Reprodução)
Felícia Rock: mulheres conquistam o território do mundo geek – (crédito: Felícia Rock/Instagram/Reprodução)

A artista Felícia Rock, de 25 anos, a comentarista de esportes eletrônicos Stephanie Soyumi, de 24 anos, e a estudante Maria Clara, de 17 anos, sinalizam um retrato do cenário atual de mudanças do universo geek. A Pesquisa Game Brasil (PGB), realizada em abril deste ano, mostra que 51,5% do público gamer no país é composto por mulheres. Diferentemente do que muitos imaginavam e o senso comum acreditava, este mundo não é, majoritariamente, masculino.

Apesar do resultado da pesquisa, as mulheres se queixam que são vítimas de discriminação em relação aos homens quando se trata de aspectos profissionais e financeiros, como sintetiza Stephanie Soyumi, que transformou o hobbie em trabalho. “Infelizmente, são muitas as dificuldades. Além de recebermos menos do que os homens, muitas organizações optam por não nos chamar, porque acham que nosso trabalho não é bom”, diz.

universo geek ainda é um mundo à parte para muitos, com características nerds e lúdicas: repleto de fantasias, ficção científica, filmes, histórias em quadrinhos, cosplay, jogos de tabuleiro e muita tecnologia.

Paixão

Maria Clara conta que, desde muito cedo, tem contato com o universo geek: começou a se interessar por assuntos nerds ainda criança, acompanhando animes clássicos, como Pokémon. Mas, de acordo com a estudante, o interesse por jogos surgiu na adolescência. “Comecei a jogar para ter algo para fazer com meus amigos, também por influência do meu namorado, e acabei gostando muito”, sintetizou Maria Clara chamada de Aza no mundo dos games.

Assim como Maria Clara, a cantora e compositora Felícia Rock, do Recife, é uma das principais artistas do rap geek no país. Desde criança, convive neste universo. Apesar de seu nicho ser a produção de músicas sobre anime, recentemente Felícia participou ao lado de Kant, Qualy e MHRAP, artistas do rap geek, da produção do single GGWP que, de acordo com a cantora significa Good Game, well played. “É algo dito entre os games como uma forma de mostrar respeito ao adversário no fim do jogo”, afirma Felícia.

Estilo

No single, cada artista canta sobre um game e Felícia escolheu homenagear Valorant, um jogo multiplayer gratuito lançado em junho de 2020, que tem conquistado cada vez mais o público. “Apesar da temática voltada para os games, sinto que a vibe do som vai agradar também quem é de fora. É algo para todo mundo curtir”, observa Felícia.

Valorant também está presente na vida de Stephanie Soyume, que atua profissionalmente como comentarista e analista do jogo. Stephanie narrou, recentemente, o último campeonato mundial de Valorant o ‘VCT Masters Berlim 2021’. A narradora, assim como Maria Clara e Felícia, entrou no universo nerd ainda criança.

“Meus pais adoram esse universo, tanto que minha infância teve muito Tomb Raider, Crash, Senhor dos Anéis, Star Wars e Age of Empires”, conta Stephanie, que profissionalizou seu hobbie em setembro de 2020, quando se tornou comentarista e analista de Valorant.

Para Stephanie, o processo de profissionalização é divertido e inspirado em várias figuras femininas do mundo geek: “Minha maior inspiração é a Letícia Motta, que trabalha com Valorant.”

Fonte: Correio Braziliense