De olho no mercado geek: faturamento com produtos licenciados cresce e chega a R$ 21,5 bi no Brasil

Mensalmente, o analista de suporte, Vitor Machado, de 21 anos, costuma reservar uma parte de seu salário para usar com produtos relacionados aos seus personagens de anime favoritos. Ele conta que já chegou a gastar R$ 500 em uma única peça: um action figure – que são réplicas colecionáveis de personagens de séries, desenhos e filmes – do Akainu, que aparece na série japonesa de mangás One Piece.

O hábito não é uma exclusividade de Machado. Produtos do universo geek (que contempla assuntos relacionados à cultura pop, como filmes, séries e jogos), alimentam um mercado mundial que faturou cerca de US$ 300 bilhões no ano passado, segundo um levantamento feito pela Brandar Consulting, por encomenda da Licensing International.

No Brasil, esse valor ficou na casa dos R$ 21,5 bilhões em 2021, segundo dados da Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens (Abral). Os valores vêm de uma crescente: em 2020, o faturamento por aqui foi de R$ 21 bilhões, e em 2019, R$ 20 bilhões.

Além dos bonecos colecionáveis, roupas, acessórios, jogos de videogame e mangás são alguns dos produtos que interessam os amantes desse universo. A paixão pelo mundo geek é um dos principais fatores que impulsionam o consumo. Muitos dos aficionados pela cultura são colecionadores de artigos de seus personagens favoritos.

Machado é um deles. Além de usar algumas peças de roupas e ter até uma tatuagem de um de seus personagens preferidos de mangá, ele ainda coleciona algumas das histórias em quadrinho no estilo japonês. Ele lembra que durante a pandemia, comprava de 10 a 15 exemplares por mês para completar suas coleções.

O designer Lucas de Paula, de 29 anos, também contribui para esse mercado com frequência. Ele conta que a cada dois meses tem o costume de fazer compras de produtos geek. “Na maioria das vezes são mangás, graphic novels e action figures. Em média, quando compro, costumo gastar no máximo R$ 200 para não extrapolar”, resume ele, que também já chegou a gastar até R$ 400 em jogos de videogame no dia do lançamento.

Consumidor geek gasta mais que média nacional

Um outro levantamento, feito pela Rakuten Digital Commerce entre maio de 2018 e abril de 2019, mostrou que os consumidores geek tendem a gastar 40% a mais do que a média nacional.

Enquanto o ticket médio das compras online feitas por geeks é de R$ 548, a média dos consumidores brasileiros chega a R$ 329. Além disso, apesar de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal serem as regiões de maior representatividade para o setor, Amapá, Maranhão e Pará foram os estados que registraram os maiores tickets médios na categoria.

O público é majoritariamente formado por homens, de 20 a 30 anos, que preferem fazer as compras online pelo computador e usam cartão de crédito como meio de pagamento.

Apesar dos preços, vendas seguem em alta

Mesmo sendo um consumidor assíduo de produtos geek, Machado admite que deixou de fazer algumas compras por conta da alta dos preços de 2020 para cá. “No começo da pandemia eu comprava até 15 mangás por mês. Mas agora os preços aumentaram muito. Um mangá que antes custava R$ 20, hoje está por volta de R$ 35”, fala ele, que hoje compra até dois ou três mangás a cada 30 dias.

Além de serem produtos muitas vezes importados, mesmo que a compra seja feita de uma empresa brasileira, há também o preço das licenças para a fabricação das peças. A inflação também é outro fator que pesa no preço. Atualmente, o IPCA aponta uma alta de 10,04%, no acumulado de 12 meses partindo de julho de 2021 a 2022, o que pode influenciar nos valores dos produtos.

Ainda assim, as vendas de artigos geek continuam acontecendo e a tendência é que esse mercado siga aquecido. O Mercado Livre, por exemplo, viu a oportunidade de se conectar com esse público, em especial com a Geração Z, e está investindo na CCXP 2022, que acontecerá em dezembro, e usa uma página de e-commerce dedicada apenas para produtos dessa categoria, com 26 mil itens disponíveis.

O faturamento da página da CCXP teve crescimento de 188% de maio a julho de 2022 em comparação com o período de outubro a dezembro de 2021. “A nossa proposta é trazer os produtos mais procurados pelo público geek no Mercado Livre, para que possam comprar e receber na hora ou em casa”, comenta Fernanda Schmid, diretora de Field Marketing Mercado Livre e Mercado Pago.
Fonte: Isto É Dinheiro

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