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Avatares: influência, automação e diversidade

Á medida que ganham força na estratégia de marcas e criadores de conteúdo, criação de personas virtuais enfrenta falta de acessibilidade e mira conexão emocional

No fim do ano passado, um relatório desenvolvido pela HypeAuditor apontou que os influenciadores virtuais, personas criadas a partir de modelagem 3D e inteligência artificial, rendem três vezes mais engajamento que influenciadores reais nas redes sociais. O mesmo estudo também revelou que o Brasil está em segundo lugar na lista de audiência dos influenciadores virtuais, abaixo somente dos Estados Unidos, que retém 23%. Uma projeção da Forbes estimou que, nos últimos anos, o setor movimentou de R$ 10 a R$ 25 bilhões.

Lu apresenta seis ritmos na Super Dança dos Famosos. (Crédito: divulgação)

Ainda que a ideia de substituir influenciadores reais por virtuais esteja longe das ambições das companhias, é inegável o crescimento das personas digitais e de sua atuação junto às marcas. A frente de um dos principais cases nacionais de influência virtual – a Lu, do Magalu – Pedro Octavio Alvim, gerente sênior de redes sociais da varejista, aponta a capacidade de uma relação direta com a marca como uma das vantagens do trabalho com personas digitais.

Nesse sentido, a Lu poderia estrelar campanhas de diversas marcas e, ainda assim, seria relacionada ao Magalu. Ele também destaca que não há a intenção de simular uma realidade e que a marca faz questão de ressaltar que a Lu é uma personagem virtual. “Usamos muito essas fraquezas da personagem para construir empatia cognitiva e emocional”, conta Pedro. Ao mesmo tempo, a companhia vem investindo na realidade mista, em que a personagem digital interage com o mundo real. Exemplo dessa aposta, é a campanha que marca a chegada do Magalu ao Rio de Janeira e traz Lu, dançando com Anitta.

O gerente sênior de redes sociais do Magalu, no entanto, relata que os influenciadores virtuais ainda não são uma estratégia acessível. “O custo de produção 3D ainda não é muito democrático”, explica. “Ainda tem muitos desafios para quem trabalha com influenciadores virtuais e quer ganhar um nível de sofisticação”, acrescenta Pedro.

Storytelling e diversidade

Ricardo Tavares, CEO Biobots, startup de criação, produção e desenvolvimento de produtos digitais responsável por projetos como o da influencer virtual Satiko, inspirada em Sabrina Sato, explica que parte dessa dificuldade no acesso se dá pelo fato de que o processo de criação de um avatar exige tempo e dedicação de uma grande equipe. “Para montar um avatar, é preciso de seis a sete profissionais”, conta o CEO da Biobots. Já a Lu, hoje, tem uma equipe de 15 pessoas cuidando de sua carreira.

Ele também alerta as marcas que pensam em investir: “Muitas pessoas querem estar nesse movimento, mas o storytelling é tão importante quanto a marca. É preciso ter muita responsabilidade na mensagem que passamos”, defende Ricardo.

Nesse sentido, Pedro Alvim destaca a importância da diversidade entre as pessoas que trabalham na construção desses influenciadores e conta metade das lideranças por trás da Lu são mulheres. “Não podemos repetir os nossos erros se estamos tendo a possibilidade de criar novas realidades”, afirma. “Quem trabalha nesse mercado, tem também que olhar para representatividade na construção desses personagens. Precisamos começar a construir brasilidade dentro desses avatares”, conclui Alvim, citando personagens como a Nat, de Natura, que é uma mulher negra e Dai, de Dailus, uma mulher gorda, que assume a causa body positive.

Tendências

Entre as tendências para o futuro dos avatares, além da conexão com o metaverso, está o ganho de autonomia. A ideia é que, por meio de inteligência artificial, os personagens ganhem identidade própria e necessitem de menos interferência. A personalização também deve ser um caminho. Ricardo Tavares afirma que as pessoas terão avatares com a réplica perfeita de seus corpos, enquanto a indústria da moda, por exemplo, deve disponibilizar seus produtos digitalmente. Dessa forma, as peças poderiam ser experimentadas de maneira virtual, diminuindo o número de devoluções.

“A tendência é que as pessoas passem a ter relacionamento emocional com os seus avatares”, aposta o CEO da Biobots. Para ele, no futuro, quando partirmos, os avatares continuaram interagindo com os familiares.

Fonte: Rio 2C – Meio & Mensagem

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