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Crise e aumento de preços fazem oferta e procura por produtos falsificados aumentar em SP

Nos dois primeiros meses deste ano foram apreendidos cerca de 1,8 milhão de objetos. Em 2021, foram 7 milhões de produto retidos

Roupas falsificadas são o terceiro produto mais apreendido pela Receita Federal

Roupas falsificadas são o terceiro produto mais apreendido pela Receita Federal

Foto: REPRODUÇÃO – 09.03.2022

A crise econômica e o aumento dos preços em todo o país tem afetado os hábitos de compra de paulistanos e paulistanas e tem feito a oferta e a procura por produtos falsificados crescer. Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram que dois milhões de itens falsificados foram apreendidos em 2020, ano de isolamento por conta da pandemia. Em 2021, foram retirados de circulação cerca de 7 milhões de produtos. Somente nos dois primeiros meses deste ano foram apreendidos cerca de 1,8 milhão de objetos.

Em 2019, ano anterior à pandemia do coronavírus, as operações realizadas pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e pela Polícia Civil em todas as regiões do estado de São Paulo resultaram em aproximadamente 7 milhões de produtos apreendidos.

Apesar do aumento da demanda por parte de comerciantes, os consumidores dividem as opiniões. Algusn ressaltam o trabalho e custo que as marcas têm para produzir o produto, outros reiteram a economia em comprar itens falsificados quase idênticos por um preço menor. “É injusto com as marcas verdadeiras, que têm todo o trabalho para montar o produto, além do custo. Mas, acredito que hoje em dia a pirataria esteja mais ‘normalizada’ devido aos custos das coisas. A crise econômica com certeza impacta nesse consumo”, afirma a assistente administrativa, Raíssa Toni.

O acesso aos produtos falsificados está mais fácil. Roupas, sapatos, brinquedos, filmes online em sites clandestinos, perfumes e eletrônicos estão disponíveis sem que o consumidor precise pagar mensalmente pelos serviços. O grande problema é que a oferta por todos esses produtos e serviços impactam e prejudicam a economia do país.

De acordo com o delegado Wagner Carrasco, os responsáveis pela mercadoria falsificadas respondem por crimes de propriedade e material. Segundo ele, alguns produtos chegam até a afetar a saúde pública, “dada a nocividade que esse produto pode causar em quem adquire.”

Para o estudante de Tecnologia da Informação, João Victor Barbaça, de 22 anos, apesar de impactar menos no bolso, um produto falsificado pode trazer prejuízos ao consumidor. “A réplica de um tênis, por exemplo, dependendo de como for feito, pode causar danos ao seu pé e até na coluna, fora que não dura por muito tempo. Os produtos hoje em dia são feitos com algumas tecnologias que nós nem imaginamos, apenas se pesquisarmos, então não dá para dizer que os itens falsificados tem a mesma qualidade”, relatou.

O aposentado, José Nogueira, de 66 anos, morador do bairro da Consolação, no centro de São Paulo, diz que a falsificação de produtos reflete uma questão social. “Só existe pirataria porque tem quem compre e se estão comprando, pode ter certeza que é porque não têm dinheiro para comprar o original.”

Nogueira disse ainda que as operações da polícia contra produtos falsificados prejudica pessoas que retiram da atividade formas de obter renda. “Eu estava passando pela 25 de março há alguns dias e eu vi policiais levando vários sacos de roupas de uma comerciante. Ela estava muito abalada, aliás, estava perdendo a mercadoria para vender e é de lá que vem seu sustento.”

Inconformado, Nogueira lembrou ainda que muitas pessoas sobrevivem a partir da renda obtida em pequenos comércios. Segundo ele, as operações policiais não incidem da mesma forma sobre grandes empresas que cometem irregularidades. “É aquele ditado: o rico fica mais rico e o pobre mais pobre. Acho que isso infelizmente não vai mudar”, finalizou.

Região da rua 25 de março é considerada um dos maiores mercados de pirataria do Brasil e América Latina, aponta relatório dos EUA

Um relatório feito pelo Escritório Representante de Comércio dos Estados Unidos citou a região do entorno da rua 25 de Março, no centro de São Paulo, como um dos “maiores mercados de pirataria do Brasil e da América Latina”. A região é conhecida por ser o local onde se encontra de tudo. Ao mesmo tempo, é um dos principais alvos das autoridades policiais e da prefeitura no combate à falsificação de produtos.

Na quarta-feira (16), a Polícia Civil, o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e a prefeitura de São Paulo deflagraram a Operação Chucky em combate ao comércio de brinquedos falsificados e centralizaram a ação em um shopping popular na rua Barão de Duprat, na 25 de março. Cerca de 20 policias participaram da ação.

Outros estabelecimentos na região também foram citados no relatório, além de uma ação da polícia, realizada em setembro de 2021, que apreendeu mais de 22.400 roupas falsificadas, brinquedos infantis e eletrônicos de seis lojas físicas, que já voltaram a funcionar. Segundo a SSP, “houve incoerência judicial e a falta de responsabilidade dos proprietários impediram mudanças duradouras no bairro e permitiram que a atividade de falsificação continuasse”.

Fonte: R7

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