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Professora brasileira que trabalha com inclusão ‘vira’ Barbie

A professora Doani Emanuela Bertan ficou entre os 10 melhores professores em 2020, no Nobel da Educação Imagem: Divulgação/Barbie

Uma professora brasileira faz parte do grupo de 12 mulheres homenageadas pela tradicional boneca Barbie no Dia Internacional das Mulheres deste ano. Doani Emanuela Bertan, 40, trabalha com inclusão dentro da sala de aula —ela criou um canal no YouTube e passou a gravar vídeos para estudantes surdos e ouvintes.

“Da mesma forma que a educação transformou minha vida, queria transformar a vida de outros”, disse ao UOL, quando questionada sobre os motivos que a levaram a se tornar educadora.

Ela conta que alunos surdos de sua escola receberam o mesmo material dos demais alunos —mas o livro didático era escrito em português, enquanto os estudantes se comunicavam por libras. “Deveria vir em libras, que é a língua que os alunos sabem, a nossa própria legislação já reconhece”, observa.

Sem um material inclusivo, ela começou a gravar vídeos no canal para os dois públicos: ouvintes e surdos. “Criei o Sala 8 [seu canal] por um problema de exclusão entre meus alunos. Não podia ser conivente com isso”, relembra.

No início, ela imaginou que o canal ajudaria apenas os estudantes da escola em que lecionava, em Campinas, no interior de São Paulo. Hoje, no entanto, a professora coleciona mais de 14 mil inscritos e descobriu, só depois que lançou os primeiros vídeos, que havia sido a pioneira no formato.

“Meu canal não é adaptado para surdo, mas pensado para ouvintes e também para surdo. Praticar inclusão na sala de aula é pensar nisso desde o planejamento e não fazer uma atividade para alguns e depois adaptar para outros”, avalia.

Antes de ser homenageada pela Barbie, a educadora também ficou, em 2020, entre os dez melhores professores do mundo no Global Teacher Prize, conhecido como o “Nobel da Educação”.

Ter essa boneca Barbie é a concretização de todos ensinamentos que tive ao longo da minha vida. Minha mãe sempre me criou para ser a mulher que eu quisesse ser. É como se fosse minha mãe dizendo ‘te falei que daria certo’. Agora, faz um ano que perdi minha mãe.” Doani Emanuela Bertan.

Depois do reconhecimento, Doani foi convidada a integrar a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo. Hoje, ela trabalha com formação de professores e também no Centro de Mídias.

A educadora continua abastecendo o canal do YouTube e colaborando com políticas de inclusão. “Mas estou com saudades da sala de aula”, conta.

Para Doani, as famílias e a sociedade em geral passaram a valorizar mais o trabalho docente com a pandemia de coronavírus e, consequentemente, com o fechamento das escolas. “Temos que olhar hoje para uma escola com empatia e não apenas para o conteúdo”, opina.

Lista inclui estilistas e CEOs

A professora divide a lista de mulheres homenageadas com CEOs, estilistas e fundadoras de empresas de diversos países.

“Sabemos que as crianças são inspiradas pelo que veem ao seu redor e é por isso que é tão importante que elas se vejam refletidas em modelos que superaram obstáculos e se tornaram as mulheres corajosas que são hoje”, diz Lisa McKnight, vice-presidente sênior e chefe global de Barbie e bonecas da Mattel.

No ano passado, a biomédica Jaqueline Goes, que trabalhou no sequenciamento da covid-19 no Brasil, e a artista Iza foram homenageadas.

Veja a lista completa de 2022

Shonda Rhimes, fundadora da American Television Production Company Shondaland;

Ari Horie, fundadora e CEO da Women’s Startup Lab e Women’s Startup Lab Impact Foundation;

Pat McGrath, maquiadora e fundadora do Pat McGrath Labs;

Melissa Sariffodeen, CEO e cofundadora do Canada Learning Code e Ladies Learning Code;

Adriana Azuara, fundadora da All4Spas;

Doani Emanuela Bertain, professora e fundadora da Sala 8;

Jane Martino, presidente e cofundadora da Smiling Mind;

Lan Yu, estilista de Moda; Butet Manurung, fundadora e diretora da SOKOLA;

Sonia Peronaci, fundadora do site de comida italiana ‘GialloZafferano’;

Tijen Onaran, CEO e fundadora da Global Digital Women e cofundadora da ACI Diversity Consulting;

e Lena Mahfouf, criadora digital, cinegrafista e autora de ‘Always More’.

Projeto da Barbie em reconhecer mulheres no mundo inteiro foi lançado em 2015 Imagem: Divulgação/Barbie.

O projeto da Barbie existe desde 2015 e, além das brasileiras já citadas, homenageou a surfista Maya Gabeira, em 2019. O modelo é único e exclusivo, ou seja, não é vendido comercialmente.

Fonte: Uol

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