Atriz esteve em São Paulo renovando por quatro anos o contrato de licenciamento com a Luxottica para a linha Grazi Eyewear e contou ao M&M como gerencia sua carreira publicitária em paralelo aos trabalhos na Globo

Roseani Rocha
21 de outubro de 2019 – 16h19

Saúde ocular e oportunidade de influenciar criativamente influenciaram parceria renovada por quatro anos (Crédito: Divulgação)

Com uma agenda de gravações apertada, já que sua personagem Paloma é uma das protagonistas da novela das 19h da Globo – Bonsucesso – a atriz Grazi Massafera esteve em São Paulo neste domingo, 20, para anunciar o lançamento de uma das três coleções que traz ao mercado anualmente com o Grupo Luxottica e a renovação do contrato por mais quatro anos. Este é, atualmente, o único contrato de licenciamento de Grazi, que já teve uma parceria com a Azaleia. Para publicidade, ela tem contratos com L’Oréal (proteção solar e cabelos), Montecarlo (joalheria) e Forum.

Segundo Rubens Garcia, que faz a gestão de Grazi Eyewear, e outras nove grifes no portfólio da Luxottica, a marca, lançada oficialmente em 2016, ainda está em fase de expansão. “Vimos a oportunidade de ter uma marca de celebridade dentro do portfólio da Luxottica, que tem um rol de marcas bem extenso, porque no Brasil existe essa característica, no mercado ótico feminino, de os produtos de celebridade terem um peso grande e vimos na Grazi a pessoa com quem poderíamos desenvolver uma marca juntos”, ressalta Rubens.

Com Grazi Eyewear, a Luxottica lança produtos ao preço médio de R$ 340; um contraponto popular e mais acessível no grupo que tem, no extremo oposto, uma Chanel. Na comunicação, tocada pela DPZ&T, Grazi participa de uma grande campanha anual, cujas peças vão sendo distribuídas de acordo com as chegadas das coleções aos pontos de venda ao longo do ano (os mais de cinco mil pontos de distribuição no varejo ótico costumam ser abastecidos com as novidades em fevereiro, julho e novembro).

Na entrevista a seguir, a própria Grazi explica, em entrevista exclusiva ao Meio & Mensagem, por que mantém somente um contrato de licenciamento e é seletiva inclusive quanto aos contratos de publicidade que fecha.

Meio & Mensagem – Você já deve ter recebido inúmeras propostas de desenvolvimento de produto, o que te convenceu em ter uma marca de óculos? E a ficar somente com o licenciamento em parceria com a Luxottica?
Grazi Massafera – Dá trabalho, bastante trabalho. Mas eu fui me conscientizando… Comecei com L’Oréal, a linha de proteção solar. Se a gente protege o corpo, por que não proteger órgãos tão especiais do nosso corpo que são os olhos? E o meu olho é claro, ainda mais sensível, e já tive queimadura na retina, por causa de exposição ao sol duas vezes. É de chorar de olho fechado! Lembro que quando vieram com essa ideia, decidi primeiro experimentar fazer só uma campanha para a Luxottica. Para ver como seria esse relacionamento. E deu muito certo. Depois veio a conversa de a gente tentar fazer uma linha de óculos. Já fui logo dizendo que eu gosto dos modelos mais gateados. E vi que estava todo mundo disposto, a fim de criar junto. Eu vinha com algumas referências, eles traziam outras ainda mais especiais. E foi surgindo esse apego, que virou um xodozinho. Sou suspeita, mas acho que até quem não é já está vendo a qualidade, o quanto os produtos estão evoluindo e mudando. Mas voltando à questão da proteção ocular, isso foi um ponto alto para que eu pensasse em ter uma linha de óculos. Eu também comecei a ter que usar óculos de grau, leio muito texto, dirijo à noite, e sempre tive um pouco de vergonha de usar. Ter a minha linha ajudou até com isso.

M&M – Já teve alguma participação em criação e desenvolvimento do produto?
Grazi – Sim e chegamos agora a uma coisa que eu queria. Começamos com óculos com a haste um pouquinho mais grossa e eu gosto bem fininha. Esteticamente é mais bonita, fica mais leve, mais charmosinho. Também amo algo em que chegamos agora, que são as lentes mais amendoadas. Aquela escura, escura, toda hora eu tiro, que é pra enxergar. Gosto dessas mais amendoadas, mais suaves. E estou encontrando bastante gente que gosta também. Essa linha está muito mais parecida comigo. No início tinha mais reuniões. Agora, é uma coisa quase telepática. Esse povo já me capta. Também não sou muito difícil né. (risos) Vou pensando uma coisa lá, daqui a pouco já vejo “a gente veio com essa ideia”. Só me sento e, no máximo, peço uma haste um pouquinho mais fina. Vou nos detalhes. São muitos anos já, quase vira família. Mudam as pessoas, mas o carinho com a marca e o produto é o mesmo. Isso facilita muito o trabalho.

M&M – A sua vida publicitária, ou como garota-propaganda, começou somente depois do BBB ou já tinha feito algo antes?
Grazi – Eu tinha sido Miss Paraná, só tinha feito naquela época, antes de entrar no Big Brother, uma linha de jeans.

M&M – Com quantas marcas você tem contrato hoje para publicidade? E quem te ajuda a controlar essa agenda?
Grazi – É essa moça, que é meu braço, minha perna, meu anjo-da-guarda: Márcia Marbá. Ela também usa um chicotinho de vez em quando, quando precisa. (Márcia intervém: “Agora ela está sem chicote, porque ela está gravando, mas depois da novela, ela vai ter o chicote atrás dela. Tem muita coisa para acontecer depois da novela”). Sabe o que acontece, quando estou fazendo a novela, a Márcia fica um pouco… deixa eu escolher a palavra… “chateada” (risos). É que eu fico muito entregue e não sou dessas pessoas que fazem milhares de coisas ao mesmo tempo. Acho que ainda tenho dentro de mim aquele tempo do interior. E esse tempo me limita. Ao mesmo tempo, vivo muito aquilo que estou me propondo a fazer no momento. Tem a novela, tem a Sofia (filha). Tem a vida para administrar, que fica bem pequena quando a gente está fazendo novela, fico mais personagem do que outra coisa. E não consigo esse timing, ficar nessa correria, porque me cansa muito. Eu preciso da minha yoga, me exercitar um pouquinho e administrar o que já tem, que já é bastante coisa.

M&M – Já teve alguma proposta tentadora (de licenciamento ou publicidade), mas que foi recusada por algum critério de valor não-financeiro seu?
Grazi – Sempre! Tanto com publicidade quanto a minha carreira, eu penso a longo prazo. E a gente lida com a verdade. Não adianta fazer coisas que não tenham a ver comigo, porque vai soar muito fake. E só pela grana não está valendo mais a pena para mim, não. Quem sabe em algum momento anterior, quando a gente está matando um leão por dia pra comer. Agora não mais. É melhor ir com calma, fazer aquilo que tem a ver comigo, com a minha história, com as coisas que quero passar, que acredito. Com as empresas que têm um pensamento parecido com o meu. Hoje em dia tento juntar o útil ao agradável. Consegui chegar num lugarzinho em que me alio a empresas para somar. E gosto! Sempre fui vendedora, né. Trabalhava em loja.

M&M – E como você, que já foi vendedora e agora é atriz, vê a evolução dos merchandisings nas novelas?
Grazi – É um lucro bom para a empresa e para a Globo. É mais uma oportunidade de trabalho para a gente também fazendo os produtos da empresa, mas eu continuo gostando de fazer no particular mesmo. (risos)

M&M – Você tem 17,2 milhões de seguidores no Instagram, faz publi. Qual sua visão das redes sociais, tanto do ponto de vista de negócio, quanto psicologicamente, já que é teoricamente também um espaço de expressão pessoal, mas existe uma plateia desse tamanho acompanhando?
Grazi – Estamos chegando à maioridade né, daqui a pouco faz 18. Tem gente que sabe usar muito melhor que eu. Ainda estou tentando me encontrar. Mas dentro das minhas possibilidades, uso da forma que acredito e gosto, como se fosse um cartão de visita. As pessoas que te procuram estão em busca de alguma inspiração. Então, tento fazer daquele pedacinho uma coisa que me inspire e, consequentemente, talvez inspire alguém também. São coisas que vejo, filmes, coisas que me fazem bem, fazem bem para minha saúde.

Redes sociais são usadas “com moderação” comercialmente (Crédito: Divulgação)

M&M – E comercialmente?

Grazi – Uso muito pouco. É que, às vezes, fico com receio de soar meio mercenária. Inicialmente, o Instagram não foi criado para isso. Mas ele virou algo muito potente nesse lugar. Tenho um receiozinho.

M&M – Em 2016, você foi indicada ao Emmy, pela personagem Larissa, de Verdades Secretas. Poderá voltar à série?
Grazi – Não sei. Havia boatos que sim, havia boatos que não. E a mim ainda não chegou nada concreto. Mudou a direção (da atração) também.

M&M – Você já chegou a apresentar o Super Bonita, no GNT. Fica mais à vontade como atriz ou apresentadora?
Grazi – Amei! Foi divertido. Era um momento que eu estava meio desistindo da carreira de atriz, gostando de fazer, mas não sabendo o que eu queria ainda. Estava experimentando. E gostei.

M&M – Acredita que as críticas no início da sua carreira de atriz podem ter sido mais severas por ser mulher, e uma mulher bonita?

Grazi – Não. As críticas foram reflexo de algo que fui aprendendo aos olhos do público. Eu não vim preparada para ser atriz. Eu não era atriz. E todo mundo que se expõe a esse ponto… Hoje em dia, se você questionar a cor do feijão, vai ter discussão sobre isso. E olha que a época que comecei… não parece, mas já faz quase 15 anos, isso ainda era menos. Agora está impossível. A discussão é pra tudo. Tem o lado bom e o lado péssimo. Mas acho justo. Eu entrei num meio que não sabia o que era. Considero que tinha um certo talento, porém, não tinha estudo nenhum. E tudo na vida para a gente se aprimorar é necessário disciplina, foco, estudo. Foi o que eu achei que era necessário para eu ver se era isso que eu queria. Foi o que eu fiz, e cada vez mais me apaixono pela profissão. Já pensei em desistir. Já entrei em crise. Quem nunca? A única diferença é que exponho essa crise. Acho lindo quem não tem crise na profissão. As minhas me ajudaram a crescer, a melhorar, a me desenvolver mais. A querer mais e, consequentemente, fazer melhor. E que venham várias outras crises.

M&M – Você falou em ser uma inspiração no Instagram. Como vê esse movimento todo de empoderamento feminino – trabalhado muito na publicidade também por várias marcas – ao mesmo tempo em que ainda existem no Brasil problemas como um grau alto de violência contra a mulher?
Grazi – Olha, eu venho de uma família muito machista. Durante o período que minha mãe e meu pai foram casados – até os meus nove anos de idade – meu pai achava que a mulher tinha que casar cedo, para não “desandar na vida”. Lembro que em casa eu tinha de sentar de perninha fechada, aquele calor (faz gesto de abrir a perna) e já vinha um “meniiina!”. Era uma coisa muito machista dentro de casa, como a maioria das casas do nosso País. Quando meus pais se separaram foi a guinada, uma virada de chave até na vida da minha mãe. Ela não podia trabalhar e ela “teve” que trabalhar. E eu vendo minha mãe ganhando essa força para sustentar a gente foi lindo! Eu vivi um pouco as duas coisas. Vivi o ambiente extremamente machista e essa mudança da minha mãe para esse empoderamento. Isso foi essencial para que hoje eu tivesse coragem para fazer escolhas na minha vida. Eu sabia que ia ser mãe aos 30, com independência financeira, porque vi minha mãe passar dificuldade com meu pai. Vê-la criando uma nova profissão, quando já não tinha mais ele em casa, foi muito forte. E essa minha evolução tem a ver com o que está acontecendo com muitas mulheres também. E isso se reflete no meu trabalho, onde existem mulheres mais fortes. E sempre existiram mulheres fortes. Agora, até os homens querem assistir, ver nosso trabalho. Então, para minha profissão é um momento muito rico e eu, como atriz, agora com mais maturidade, estou vivenciando isso. Olha a Paloma. Sempre existiram as Palomas por aí. Vivenciar essa personagem que está sendo tão bem acolhida e inspiradora, ao mesmo tempo, as pessoas estão se identificando, faz parte desse momento que estamos vivendo. Antes, ela podia ser julgada: “Ah, é mãe solteira”. Estamos num momento feminino muito rico e as mulheres que têm maturidade e estão podendo vivenciar isso estão fazendo guinadas em suas vidas, cada uma à sua maneira. E isso é muito bonito de ver.

Fonte: Meio & Mensagem