Dentro da História lança enredos com princesas. Mais personagens, clube de assinatura e expansão para outros países e tipos de cliente estão nos planos

Flávio Aguiar e Felipe Paniago em pé e Diego Moraes e André Campelo sentados, da Dentro da História

Flávio Aguiar e Felipe Paniago em pé e Diego Moraes e André Campelo sentados, da Dentro da História: mais de 400 mil livros vendidos na projeção de 2019 (Dentro da História/Divulgação)

A inovação chega aos mais tradicionais segmentos — inclusive para as editoras de livros e para marcas tão tradicionais quanto a Disney. Depois de adquirir marcas como Star Wars e criar seu próprio streaming, a gigante do entretenimento licenciou seus personagens para o empreendimento brasileiro Dentro da História.

A Dentro da História, com sede em Campinas (São Paulo), produz livros personalizados nos quais avatares das crianças convivem com personagens e ambiente familiares — como, agora, Branca de Neve, Cinderela, Jasmine e Pocahontas. A parceria ajudará o empreendimento em sua projeção de encerrar o ano com um faturamento acima de 20 milhões de reais. São mais de 400 mil livros vendidos.

História e parceria com Disney

O mercado de livros para crianças, adolescentes e jovens adultos passa por um leve crescimento, ao contrário do que se imagina. Entre 2013 e 2017, a receita de livros de ficção dos Estados Unidos nessa categoria aumentou 11,3%, para 3,67 bilhões de dólares, de acordo com o relatório anual da Association of American Publishers. Já a receita de não-ficção retraiu 2,3%, para 652 milhões de dólares.

Os empreendedores André Campelo, Diego Moraes, Felipe Paniago e Flavio Aguiar criaram a Dentro da História em 2016. “Tradicionalmente, as editoras estimam tiragens, têm venda terceirizada e acumulam estoque. Nós temos um produto sob demanda e com distribuição direta por canais próprios”, afirma Campelo.

A validação do negócio se deu na Bienal do Livro de São Paulo. Em um estande da Maurício de Souza Produções, a Dentro da História colocou tótens para as crianças montarem seus avatares e imprimirem livros da Turma da Mônica na hora. Hoje, personagens como Batman, Galinha Pintadinha, Meninas Superpoderosas, Meu Pequeno Torcedor (com times de futebol como Corinthians e Flamengo), Patrulha Canina e O Show da Luna foram licenciados para o Dentro da História.

Em 2017, o mercado brasileiro de licenciamento faturou 4,4 bilhões de dólares, 15% mais do que no ano anterior. O Brasil é o sétimo país em licenciamento no mundo — e os produtos infantis correspondem a 70% dos itens licenciados.

As obras são principalmente para crianças de dois a oito anos de idade, mas há livros para bebês e pré-adolescentes. A montagem do avatar e a seleção dos enredos são feitas pelos pais na internet. São cerca de 100 histórias personalizáveis disponíveis. Cada livro custa 69,90 reais, mais frete fixo de 12,90 reais. Os consumidores da Dentro de História costumam comprar 1,5 livro, com tíquete médio de cerca de 150 reais.

Livros da Dentro da História, com licenciamento da Disney
Livros da Dentro da História, com licenciamento da Disney (Dentro da História/Divulgação)

A negociação com a Disney começou ainda em 2017, em outra Bienal do Livro de São Paulo. Entre as exigências estavam a aprovação do estilo dos avatares das crianças, todas as posições das personagens e o roteiro. Cada livro costuma ter 30 mil variações de posições. A Dentro da História tem hoje o licenciamento de 11 princesas da Disney. Já foram lançados livros com Branca de Neve, Cinderela, Jasmine e Pocahontas. Outras produções da marca, como Divertida Mente e Toy Story, podem ser lançadas em breve.

A expansão dos livros personalizados

No começo deste ano, a Dentro da História começou a expandir internacionalmente. Por meio da marca Playstories, já está na Espanha e planeja sua chegada a Portugal em breve. Em 2020, será a vez dos Estados Unidos.

A Dentro da História também está testando um novo modelo de negócio: o clube de assinatura. O livro mensal acompanha adesivos; uma carta aos pais sobre os temas que podem ser trabalhados a partir da história; e uma surpresa para a criança, como um jogo ou um pôster. Com dois meses de operação, o clube tem mil assinantes.

O empreedimento também testa um modelo B2B2C (vender para empresas que se relacionam com os consumidores finais). A Dentro da História monta livros para cerca de 30 escolas de acordo com as diretrizes da Base Nacional Curricular Comum e fez um projeto com o Banco do Brasil para um livro personalizado para um produto de previdência privada aos filhos.

Por fim, a Dentro da História busca enredos que vão além dos personagens animados. A marca abriu uma divisão de clássicos, com um livro personalizado baseado na obra O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry), e uma divisão de histórias originais, com um livro que fala sobre emoções. Além dos lançamentos atrelados à Disney, obras de Monteiro Lobato e histórias da personagem Anittinha estão na lista de futuros livros.

Para 2019, a Dentro da História chegar a 10 mil assinantes e faturar acima de 20 milhões de reais. Em 2018, o faturamento foi de 12 milhões. Para 2020, o plano é passar de um milhão de livros vendidos e mais de 25 mil assinantes do clube. Se as editoras tradicionais lutam pela sobrevivência, a Dentro da História expande no ritmo das startups.

Fonte: Exame