Cerca de 60% dos usuários da plataforma já são de fora da América do Norte; séries como Bridgerton e O Gambito da Rainha ajudaram a atrair clientes

20 de janeiro de 2021 – 15h56

Série O Gambito da Rainha foi um dos maiores sucessos da plataforma no fim de 2020 (crédito: Reprodução/Netflix Brasil/YouTube)

Oano de 2020 ficará marcado como o maior da história para a Netflix até o momento atual. A companhia encerrou o ano conquistando mais clientes do que o esperado e declarou que, a partir de agora, não precisa mais contar com empréstimos para ajudar a financiar seu império de entretenimento.

A maior plataforma de streaming do mundo atraiu mais de 8,51 milhões de novos assinantes no último trimestre de 2020, com a ajuda de conteúdos que ganharam popularidade, como as séries O Gambito da Rainha e Bridgerton. O desempenho superou as projeções da própria companhia e dos analistas de Wall Street, que haviam previsto um incremento de 6,06 milhões de clientes no período.

O relatório traz dois importantes marcos para a Netflix: a companhia ultrapassou a marca de 200 milhões de assinantes e declarou que, a partir de agora, seu fluxo financeiro não ficará mais dependente de financiamentos para sustentar seu crescimento. Com US$ 8,2 bilhões em dinheiro – e uma linha de crédito que não foi sacada – a Netflix declarou que não precisará mais de financiamento externo. A empresa também considera a recompra de ações, algo que havia mais considerado há uma década.

O crescimento da Netflix foi maior no primeiro semestre de 2020, impulsionado sobretudo pelas medidas de restrição à circulação, trazidas junto à pandemia da Covid-19. Na primeira metade do ano, 25,9 milhões de novos clientes foram adicionados à base da empresa. A plataforma já havia alertado, no entanto, que os meses seguintes não sustentariam tal ritmo de crescimento. Ainda assim, a companhia conseguiu um desempenho melhor que o esperado.

Sediada na cidade de Los Gatos, na California, Estados Unidos, a Netflix vem olhando com mais atenção para os mercados internacionais assim que sua presença na América do Norte começou a ficar saturada. Boa parte dos novos clientes da companhia tem vindo da Europa e da América Latina e está apenas começando a conquistar mercado na Ásia.

Embora os números da companhia sejam positivos, os céticos em relação ao negócio da Netflix já vêm, há algum tempo, alertando sobre os problemas do endividamento da companhia. Embora a empresa tenha relatado lucros consistentes, ela teve de fazer empréstimos de bilhões de dólares para financiar seus investimentos em novas produções. Em 2019, teve um fluxo de caixa negativo de US$ 3,3 bilhões, o pior já registrado.

Desde então, uma mudança nos números vem acontecendo e a Netflix projeta estabilizar o fluxo de caixa neste ano de 2021. Os analistas haviam projetado um fluxo negativo de US$ 619,7 milhões.

Negócios globais
A Netflix tem prosperado com investimentos fora de seu território, desenvolvendo um fluxo de novos conteúdos ao redor do mundo. Mais de 60% dos assinantes da plataforma vivem fora dos Estados Unidos e do Canadá e 83% dos novos clientes no ano passado vieram de outros países. No último trimestre do ano, a companhia lançou séries populares nos idiomas alemão, coreano, japonês e francês.

Mas as séries em língua inglesa O Gambito da Rainha e Bridgerton foram os maiores hits da companhia no ano passado. A primeira foi vista em mais de 62 milhões de lares em um período de 28 dias, enquanto Bridgerton alcançou 63 milhões de usuários.

Um novo produto, no entanto, simboliza a força global da companhia. A série policial francesa Lupin, tornou-se a segunda maior estreia da história da empresa, tendo alcançado 70 milhões de lares nos primeiros 28 dias de lançamento.

Para o atual trimestre, a Netflix revelou uma estimativa modesta de crescimento: 6 milhões de novos assinantes, enquanto os analistas projetam um incremento maior, de 7,45 milhões de novos clientes.

Com informações do Advertising Age

Fonte: Meio & Mensagem