Por Marici Ferreira, presidente da ABRAL

As mulheres têm conquistado cada vez mais espaço em várias áreas nas últimas décadas. Mas, se a presença feminina em inúmeras atividades ainda é inaceitavelmente menor que a masculina, na ciência o quadro é mais grave. Neste dia 11 de fevereiro, comemora-se o “O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência”, data instituída pelos Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, com o objetivo de reconhecer o importante papel que as mulheres desempenham nas comunidades de ciência e tecnologia ao redor do mundo e cujas comemorações são lideradas pela Unesco e pela ONU Mulheres.

A Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens (ABRAL), que reúne empresas como Mauricio de Sousa Produções (MSP), Disney, Gloob, Instituto Ayrton Senna, entre outras, apoia a ampliação da participação da mulher em áreas em que ainda é subrepresentada. De acordo com um estudo realizado em 14 países, a probabilidade de mulheres obterem o grau de licenciatura, mestrado e doutoramento em campos relacionados à ciência é de 18%, 8% e 2%, respectivamente, enquanto as porcentagens masculinas são de 37%, 18% e 6%, ou seja, mais que o dobro.

Para que as mulheres ampliem sua presença nos laboratórios no futuro, é importante falar com as meninas hoje. É fundamental que elas percebam que ciência é coisa de menina, sim.

A ABRAL considera que os personagens podem ter um papel importante para mudar esse quadro. Luna, por exemplo, uma garotinha de 6 anos apaixonada por ciência e que usa experimentos e a imaginação para fazer muitas descobertas, faz muito sucesso com o desenho animado com o seu nome: “O Show da Luna”. Outros exemplos são “Dora, a Aventureira”, menina que, com seu amigo macaco de estimação e sua mochila falante, desvenda o mundo em desafios educativos, e a “Doutora Brinquedos”, que “diagnostica” seus bonecos e bichinhos de pelúcia

Por meio do projeto Donas da Rua, que tem o apoio da ONU Mulheres, a Mauricio de Sousa Produções mostra a meninas e mulheres de todas as idades que não é preciso ter um Sansão para conseguir seu espaço. Dentro da série Donas da Rua da História, o projeto mostra mulheres importantes em vários setores, inclusive na ciência: Magali é retratada como Ada Lovelace, precursora da programação de computadores; Cascuda como a prêmio Nobel de química e física Marie Curie; e Milena como Katherine Johnson, cujos cálculos foram fundamentais para que o homem chegasse à Lua. As ilustrações circulam pelo país em exposições itinerantes e em eventos que aproximam as garotas da ciência, apoiados pela MSP.

Um dos grandes destaques do filme “Pantera Negra”, da Marvel, um dos que concorrem ao Oscar deste ano, é a atriz guianense Letitia Wright, que interpreta a princesa e maior cientista de Wakanda, o país africano ficcional que é o lar do personagem principal. Ela chefia um laboratório de onde saem grandes inovações tecnológicas.

São iniciativas como essas que podem estimular a presença feminina na ciência, hoje dominada por homens. Nas premiações mais recentes do Nobel, feitos em cinco categorias, a participação da mulher continua muito pequena: 5,6%. Das 904 pessoas premiadas desde 1901 com o Nobel, apenas 51 são mulheres. A física tem o pior índice de vencedoras: 1%. Somente três mulheres ganharam o prêmio desde 1901. Antes de a canadense Donna Strickland vencer no ano passado, a última mulher premiada foi em 1963, há 55 anos.

Para especialistas, o período para aumentar esse número é a infância. Por isso, a ABRAL, cujos personagens infantis licenciados são o carro-chefe das associadas, considera tão importante incentivar ações e novas ideias que possam mostrar a importância da presença feminina em todas as áreas desde os primeiros anos. O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência precisa ser lembrado e muito festejado todos os anos.

Fonte: Segs

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